Número Especial 15 anos
Editores
António Ramos Pires, Instituto Politécnico de Setúbal, Portugal
Margarida Saraiva, Universidade de Évora, Portugal
Índice
Contexto Social, Tecnológico e Empresarial
António Ramos PiresContexto do movimento da qualidade
António Ramos PiresGestão pela Qualidade Total – Análise Crítica e Perspetiva
Margarida SaraivaQualidade 5.0: Os mesmos Princípios, Novas Abordagens
Pedro SaraivaAntónio Ramos PiresA Sustentabilidade na Gestão da Cadeia de Abastecimento num Contexto VUCA
Ana Rolo || Rui Alves || Gracieth Mateus LeandroTeoria dos Recursos e Qualidade
António Ramos PiresAntónio Ramos PiresQuality evolution: Challenges and Opportunities in the convergence of Lean Six Sigma and Quality 4.0
Isabel M. JoãoDa qualidade em serviços aos serviços, percorrendo desencontros
Rogério Puga-LealAntónio Ramos PiresControlo da qualidade: uma perspetiva de futuro
Daniel Gaspar || Samuel Messias || Odete LopesEvolução da qualidade nos últimos 15 anos
Helena NavasHermílio Vilarinho || Miguel Rodrigues || Henriqueta NóvoaJosé Figueiredo SoaresAntónio Ramos PiresA Diversidade e a Inclusão nos Relatórios de Sustentabilidade das Empresas
Gilmar Teixeira || Aldina Soares || Catarina Sales OliveiraAprendizagem e gestão do conhecimento
António Ramos PiresDesenvolvimentos pedagógicos em Manutenção 4.0 - O exemplo das instalações frigoríficas
Filipe Didelet Pereira || João GarciaAntónio Ramos PiresRui Pedro Lourenço || Patrícia Moura e SáAdministração pública local - Desafios e Oportunidades
Georgina Morais || Sofia Félix || David Marques Albertina PalmaAna Luísa Rodrigues || Belmiro Cabrito ||Carolina PereiraContribuições da psicodinâmica do trabalho para o campo da saúde e segurança no trabalho
Duarte Rolo || João AreosaTrês Décadas da qualidade em saúde – Que futuro?
Margarida França || Margarida EirasIndicadores da Qualidade em Saúde
Ana Escoval || Ana Terezinha RodriguesInformação para o desenvolvimento sustentável: Construir um entendimento coletivo
Teresa Nogueiro || Inês Narciso || Margarida SaraivaMelhoria do trabalho de investigação
António Ramos PiresAntónio Ramos PiresDesafios para a investigação em gestão da qualidade e o movimento da qualidade
António Ramos PiresContributos para o desenvolvimento teórico da gestão da qualidade
António Ramos PiresAntónio Ramos PiresA gestão da qualidade surge como uma abordagem à gestão geral, como um subsistema desta, e teve sucesso, pelo que o movimento se estendeu dos setores industriais críticos a outros e sucessivamente a serviços privados e públicos.
Nas primeiras etapas, o foco estava centrado em garantir que a produção decorria de forma controlada e contínua, não só através da competência técnica, mas também através de procedimentos organizacionais capazes de dar a máxima confiança de que as especificações técnicas não seriam prejudicadas por deficiências a nível administrativo e de gestão. De forma natural, as organizações com sucesso nas áreas da produção, concluíram pelas vantagens de incluir mais áreas funcionais, também com impacto a montante e a jusante da produção.
Os resultados foram surgindo, alguns com grande visibilidade, o que gerou um movimento de expansão, não só com base na imposição de grandes clientes nos seus fornecedores, mas também na participação voluntária de outras empresas e setores e com outras motivações.
Contudo, grandes sectores (por exemplo, administração pública, saúde, educação) não se identificaram com os modelos e abordagens das empresas (por exemplo, ISO 9001), de modo que outras variantes mais focadas nestas áreas foram surgindo.
As referidas abordagens não resultaram da investigação científica, mas foram essencialmente criadas por consultores, que para o efeito utilizaram o conhecimento das áreas de engenharia e gestão. Lillrank et al (2001), caracterizaram a gestão da qualidade como uma mistura eclética de conceitos de engenharia e de gestão, considerando que existem inconsistências, e até erros na transposição do conhecimento para metodologias de intervenção. No entanto, as abordagens dos consultores foram, em muitos casos, úteis, o que impulsionou o movimento.
A academia, desde as áreas tradicionais de engenharia e gestão até às áreas mais marcadamente sociais como economia, marketing, sociologia, psicologia social das organizações, recursos humanos, têm estudado as aplicações, de acordo com os seus pontos de vista e chegaram a conclusões de natureza diferente.
A grande maioria dos estudos baseou-se em estudos de caso e não teve a preocupação de criar sólidos suportes teóricos, o que é compreensível, uma vez que se concentraram em aspetos metodológicos e nos resultados das aplicações, muitas vezes envolvidos na apologia de técnicas e métodos, e também porque os estudos foram conduzidos por aqueles que já estavam “conquistados pela causa”.
No entanto, argumentamos que é necessário aprofundar o conhecimento de suporte à abordagens do movimento da qualidade.
A expansão do movimento chegou também a instituições de ensino superior, em primeiro lugar e de forma mais persistente, naquelas que tinham departamentos em que a gestão da qualidade era ministrada, e em segundo lugar após a criação da A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) e dos seus requisitos para acreditação dos ciclos de estudo.
Naturalmente, a questão colocou-se: Se a investigação mostrou resultados, porque não se aplicar à própria gestão das Instituições de Ensino Superior (IES). As motivações foram também várias: eficiência, eficácia, pedagogia, satisfação dos alunos, imagem, prestação de contas, captação de receitas e financiamento.
No entanto, a implementação de abordagens típicas e provenientes de empresas foi entendida como um sinal seguro de não aplicação, e suspeitas de utilidade nas IES, em particular porque interferiam com a autonomia académica e passavam a controlar as atividades dos professores. Assim, os estudos sobre as práticas de gestão nas IES foram realizados nas mesmas perspetivas das outras organizações, ou seja, as motivações e os resultados, com a preocupação de provar os benefícios, nem sempre identificando deficiências, mal-entendidos e insuficiências.
As áreas transversais, como a qualidade, têm preferido exprimir os conceitos sob a forma de metodologias e não em teoremas, o que é compreensível, uma vez que são mais direcionadas para a implementação do que para a compreensão completa dos fenómenos, tornando-se assim mais acessíveis aos gestores. O que no nosso entender vai continuar a acontecer.
As IES são responsáveis pela maioria da investigação realizada, e compreensivelmente estudam mais o que passa no exterior do que no seu interior. Mesmo nos casos em que se envolveram na implementação de sistemas de gestão da qualidade (SGQ), a investigação pouco se debruça sobre os processos das IES, sendo de realçar que apenas o macroprocesso de ensino-aprendizagem é objeto de alguma atenção, ficando os restantes (ex.: I&D e Prestação de serviços) em grande parte de fora dos SGQ. Contudo, as poucas experiências com investigação aplicada aos SGQ relevaram grande potencial de melhoria (Pires e Lourenço, 2010; Duarte, (2014).
Esta publicação tem dois grandes objetivos. Por um lado, caracterizar e analisar a investigação na área da gestão da qualidade e por outro lado, perspetivar necessidades de desenvolvimento teórico. Para este último objetivo baseámo-nos na nossa experiência como editores da revista TMQ – Techniques, Methodologies and Quality, mas também na experiência e reflexões de outros editores.
A Publicação está dividida em 3 partes e em capítulos dentro de cada parte:
Parte I- Contexto do projeto
Parte II – Áreas de interesse e de investigação
Parte III – Perspetiva de desenvolvimento teórico e investigação No capítulo 1, caracterizamos o contexto do projeto.
O capítulo 2 é dedicado ao contexto social tecnológico e empresarial.
O capítulo 3 caracteriza o contexto e os desafios que o movimento da qualidade tem de enfrentar, fazendo uma análise crítica das suas abordagens tradicionais, a análise crítica da investigação realizada, e refletindo sobre a necessidade de aprofundamento d o suporte teórico. Para o efeito, identificamos argumentos para justificar a necessidade e utilidade de refletir sobre a I&D realizada, suportando-nos na análise de revisões bibliográficas típicas de muitos trabalhos.
Nos capítulos das Parte II, são identificadas áreas de interesse e de investigação, muitas delas pluridisciplinares.
Nos capítulos da Parte III, apresentamos algumas abordagens a temas específicos, apresentamos linhas orientadoras para aprofundar a base teórica da GQ e enfatizamos áreas de maior preocupação, pela ausência de contributos suficientes em áreas novas, que requerem prioridade ou mesmo urgência.
Na parte final são resumidas as tendências e propostas de investigação futura, bem como algumas prioridades.
Neste enquadramento, tentamos vislumbrar o futuro do movimento da qualidade.
Usámos muitas e diversas fontes, tanto antigas como mais recentes. Não retirámos as mais antigas, porque suportaram trabalhos anteriores e referimo-las sempre que ainda são relevantes e adequadas. Por outro lado, a sua manutenção permite também alargar perspetivas, por vezes muito focadas nos anos mais recentes, estando a ênfase, as mensagens e as abordagens muito focadas no curto prazo, ou pior, na fabulação do futuro.
De outro ponto de vista, a verificação da continuidade dos temas, ou das preocupações pode identificar a repetição perniciosa de ciclos fechados (loops) em que se discutem novos assuntos do mesmo modo que no passado (viajando em círculos fechados e mimetizados).
Esta publicação foi elaborada no âmbito das comemorações do 15º Aniversário da RIQUAL
– Rede de Investigadores da Qualidade. António Ramos Pires
A REVISTA TMQ – TECHNIQUES METHODOLOGIES AND QUALITY é uma marca registada no INPI com o Nº 614089 e sujeita os artigos publicados a dupla revisão por pares, estando disponível online em: https://publicacoes.riqual.org
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FICHA TÉCNICA:
Título: TMQ – TECHNIQUES, METHODOLOGIES AND QUALITY, Número Especial 15 anos | 2025 ISSN: 2183-0940
Editora: RIQUAL – Rede de Investigadores da Qualidade Revisão e Paginação: RIQUAL e EDUCA
Capa e Arranjo Gráfico: Pedro Sousa
e-mail: info@riqual.org
Editora EDUCA – Morada: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Al. da Universidade, 1649-013
Copyright: RIQUAL e EDUCA
TECHNICAL DATA SHEET:
Title: TMQ – TECHNIQUES, METHODOLOGIES AND QUALITY, Special Issue 15 years | 2025 ISSN: 2183-0940
Publisher: RIQUAL – Network of Quality Researchers
Pagination and graphic production: RIQUAL and EDUCA
Cover and Graphical arrangements: Pedro Sousa
e-mail: info@riqual.org
Editora EDUCA – Address: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Al. da Universidade, 1649-013
Copyright: RIQUAL and EDUCA
MANAGING EDITORS:
António Ramos Pires, Instituto Politécnico de Setúbal, Portugal
Margarida Saraiva, Universidade de Évora, Portugal
Editorial Board:
Albano Ferreira, Universidade Katyavala Bwila, Angola
Álvaro Rosa, ISCTE-IUL, Portugal
António Ramos Pires, Instituto Politécnico de Setúbal, Portugal
Elsa Simões, Universidade de Cabo Verde, Cabo Verde
Izabela Simon Rampasso, Universidad Católica del Norte , Chile
João Matias, Universidade de Aveiro, Portugal
José Álvarez-Garcia, Universidad da Extremadura, Espanha
José Sarsfield Cabral, Universidade do Porto, Portugal
Keylor Villalobos, Universidad Nacional de Costa Rica, Costa Rica
Luís Lourenço, Universidade da Beira Interior, Portugal
Manuel Suarez-Barraza, Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, México
Margarida Saraiva, Universidade de Évora, Portugal
Maria da Conceição Barbosa Mendes, Universidade Katyavala Bwila, Angola
Maria de la Cruz del Rio-Rama, Universidad de Vigo, Espanha
Martí Casadesús, Universitat de Girona, Espanha
Nelson António, ISCTE-IUL, Portugal
Patrícia Moura e Sá, Universidade de Coimbra, Portugal
Pedro Saraiva, NOVA IMS, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Stella Regina Reis da Costa, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil
Virgílio Cruz Machado, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Authors:
Albertina Palma, Instituto Politécnico de Setúbal
Aldina Soares, Instituto Politécnico de Setúbal e MARE
Ana Escoval, NOVA National School of Public Health, Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA University Lisbon
Ana Luísa Rodrigues, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa
Ana Rolo, Instituto Politécnico de Setúbal
Ana Terezinha Rodrigues, Unidade Local de Saúde Almada-Seixal, E.P.E.
António Ramos Pires, Instituto Politécnico de Setúbal
Belmiro Cabrito, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa
Carolina Pereira, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa
Catarina Sales Oliveira, UBI e Cies_ISCTE
Daniel Gaspar, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu/CISED
David Marques, Coimbra Business School | ISCAC, Polytechnic of Coimbra
Didelet Pereira, ESTSetúbal-Instituto Politécnico Setúbal
Duarte Rolo, Instituto de Psicodinâmica do Trabalho (Paris, França) e Membro da direção do OCVT
Georgina Morais, Coimbra Business School | ISCAC, Polytechnic of Coimbra
Gilmar Teixeira, Instituto Politécnico de Setúbal
Gracieth Mateus Leandro, Universidade Agostinho Neto, Angola
Helena Navas, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa
Henriqueta Nóvoa, Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, INEGI
Hermilio Vilarinho, Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, INESC
Inês Narciso, CIES – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Pedro Saraiva, Universidade de Coimbra e Diretor do PLANAPP
Isabel João, ISEL, Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa, and CEGIST, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa
João Areosa, Instituto Politécnico de Setúbal e Membro da direção do OCVT
João Garcia, Instituto Politécnico de Lisboa, UnIRE, MARE-IPS, Marine and Environmental Sciences Centre
José Figueiredo Soares, Instituto de Bioética, UCP
Margarida Eiras, ESTeSL- Instituto Politécnico de Lisboa
Margarida França, ULSRA, EPE e Católica Porto Business School
Margarida Saraiva, Universidade de Évora, BRU – Business Research Unit | ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa
Miguel Rodrigues, Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto
Odete Lopes, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu/CISED
Patrícia Moura e Sá, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra & CER
Rogério Puga-Leal, UNIDEMI, Department of Mechanical and Industrial Engineering, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa
Rui Alves, Instituto Politécnico de Setúbal
Rui Pedro dos Santos Lourenço, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra & CeBER
Samuel Messias, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu/CISED
Sofia Félix, Coimbra Business School | ISCAC, Polytechnic of Coimbra
Teresa Nogueiro, Instituto Politécnico de Setúbal
TÍTULO: TMQ – Número Especial – 15 anos
© RIQUAL – Rede de Investigadores da Qualidade
Lisboa, 2025
ISSN: 2183-0940
e-mail: info@riqual.org
www.publicacoes.riqual.org

