Obrigações imperfeitas e agência de grupo: breves considerações sobre moralidade e responsabilidade na agência de grupo
Obrigações Imperfeitas e Agência de Grupo – A Qualidade como Dever Ético das Organizações
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Assistimos, com frequência, profundidade e extensão nunca anteriormente registadas, a alterações ambientais, sociais e políticas atribuíveis à ação humana. É agora também bem evidente a natureza exponencial da produção do conhecimento e, com ela, a enorme aceleração de descobertas e invenções conduzindo ao desenvolvimento de tecnologias numa escala que obrigará a repensar valores, direitos e compromissos éticos, estruturantes da nossa vida em sociedade. Neste processo surgirão novas responsabilidades de ind ivíduos e de organizações para com a manutenção, no planeta, de condições de florescimento da Humanidade. Muitas dessas responsabilidades referir-se-ão a obrigações imperfeitas que, pelas suas natureza, extensão, complexidade e ambiguidade, poderão não ser, em tempo útil para a prevenção de possíveis impactes negativos, objeto de hétero-regulação aos níveis adequados à sua abordagem eficaz. No presente artigo, analisam-se as condições em que deveres morais podem ser atribuídos a agentes coletivos e a forma como as “novas” obrigações, decorrentes dessa atribuição, podem passar de um nível supererrogatório da prática voluntária da beneficência, para o nível da resposta a deveres de justiça. As temáticas da Gestão da Qualidade e da Excelência Organizacional são abordadas como exemplo de domínios onde estratégias de cooperação, desenvolvidas consistentemente ao longo do tempo, se têm revelado eficazes para gerar níveis acrescidos de responsabilidade e de confiança, em contextos de acelerada, e muitas vezes disruptiva, inovação de produtos, processos e mercados. Conclui-se que a trama de suporte das sociedades humanas, cada vez mais vulneráveis e interdependentes, não poderá deixar de ser o capital social, constituído pelas instituições, as leis e os hábitos de reciprocidade e de confiança, o qual é, em última análise, condição sine qua non para o êxito das instituições e, com estas, da Sociedade, mesmo nos cenários prospetivos mais negativos.
José Figueiredo Soares has a degree in Electrical Engineering from IST/UL and a Postgraduation in Quality Engineering from UNL/ISQ. He also completed the Upper Business Management Program (PADE) at AESE Business School, the EDP/INSEAD Senior Management Program and the Advanced Training Program in Business Ethics at FCH/UCP. He is Past-President of the Portuguese Association for Quality. Currently he is a Ph.D. Candidate at the Bioethics Institute/UCP. His research interests are in the areas of business ethics and organizational excellence
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J
Agência Coletiva; Cooperação; Excelência Organizacional; Obrigações Imperfeitas.

